Marcela Neves

Petricor

Texto da artista · por Marcela Neves · 2024

Série Petricor · SUAVE coisa nenhuma, Adizza Prado Galeria, Ribeirão Preto

Desenvolver esse projeto foi uma experiência única de conexão com a natureza, respirar a vida em sua origem de tudo, observar os microssistemas que compartilham energia, vivem em comunidade e em troca constante, caminhar ouvindo a música da chuva abençoando a mata, pássaros e seus cantos sobrevoando pela floresta, contemplar a vista úmida de verde-escuro a perder de vista.

Depois que mergulhei de cabeça no universo da arte, estudando com mestres que me abriram a cabeça e expandiram minha visão para um universo infinito muito além do nosso, essa conexão foi de tamanha importância para sentir na pele o que somos e o que estamos fazendo com nosso maior bem, a mãe natureza, que nos alimenta, nos refresca, nos dá a água (doce e salgada) — e em troca estamos cada vez sufocando mais e mais essa Terra que nos deu a vida.

De lá para cá me voltei para a pesquisa: psicanálise, filósofos, história da arte e o universo, buscando reconciliar com o passado, onde as verdadeiras conexões eram de troca de energia “não virtual”.

Petricor é o nome do aroma terroso que se produz quando a chuva cai no solo ou em pedras, após um período de seca e calor. A palavra vem do grego petra, que significa pedra, e ícor, o fluido que corria nas veias dos deuses na mitologia grega. A intensidade do aroma varia de acordo com o tipo de solo e a velocidade das gotas de chuva.

A escolha do título da série veio de uma conversa com uma amiga que, ao ler o texto, me trouxe esse termo — e achamos que casa muito bem com a vivência e o propósito do trabalho, trazendo sentidos e vida à nossa existência.

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