EX-SISTERE
2026 · Autorretratos, fotografia · Série em curso
Em 2026 a câmera se volta para dentro. Depois de quase uma década fotografando a matéria em transformação — a duna, a pedra, a água —, a artista coloca o próprio corpo diante da lente e submete-o ao mesmo tratamento: a exposição longa, que dissolve o contorno e multiplica a figura.
O resultado não é retrato no sentido usual. Não há um rosto a ser reconhecido, mas três ou quatro rostos emergindo do mesmo gesto, como se a imagem registrasse não uma pessoa mas a passagem de uma pessoa por si mesma. É a série mais direta do conjunto e a mais arriscada: aqui o elemento em transformação é ela.
Existir não é apenas estar vivo.
A palavra remete ao latim ex-sistere, “colocar-se para fora”, “sair de si”. Na tradição filosófica grega, a vida humana também é compreendida como um movimento de transcendência. O homem não se encerra em si mesmo, mas realiza sua existência quando se abre ao outro, à verdade e ao mundo.
Existir, portanto, é mais do que permanecer; é sair do próprio centro. É deixar de viver apenas para si e descobrir que a plenitude acontece no encontro, na relação e na capacidade de transcender os próprios limites.
