Estudos Marajó
2025 · Fotografia, performance para a câmera e instalação · Projeto em processo
Em 2025 a artista levou a pesquisa para a ilha do Marajó, no Pará, e pela primeira vez o corpo passou a ser o material principal. Mata, lama, mangue e igarapé viraram ateliê: o cabelo se mistura às raízes e à terra rachada, a pele recebe a lama do mangue até virar casca, o corpo submerge na água escura e reaparece como reflexo, um espelho redondo devolve a floresta ao chão e uma figura coberta de branco atravessa a pedra e a terra seca.
Os estudos terminam em preto e branco, com linhas esticadas entre os troncos — a trama que a artista já havia usado para costurar fotografias, agora armada no próprio lugar. É a teia da aranha e o micélio de que fala o texto dela: o fio como imagem do que liga as coisas sem ser visto.
O conjunto está em processo: são ensaios feitos em campo e apresentados na orientação com Eder Chiodetto, ainda sem edição final, títulos ou tiragem.
Minha pesquisa artística tangencia questões existenciais e filosóficas que me fazem refletir sobre a origem da vida, a finitude e a conexão entre os seres — viventes e não viventes, abordando a conectividade e a pulsão de vida.
O macrocosmo e a magia da existência revelam-se na natureza, no feminino que gera vida, nas aranhas que tecem suas teias e dos micélios que se conectam numa rede invisível e potente.
Busco ativar, em mim e no público, a percepção de que o emaranhado dos fios e dos micélios, do feminino e da natureza, representa os vínculos invisíveis que nos unem às pessoas, à natureza, ao tempo e ao Universo. É uma jornada entre ciência, física, espiritualidade e emoção, em que cada conexão dialoga com o infinito e com a impermanência da vida.
Eixos de pesquisa
- Os quatro elementos: água, ar, terra e fogo
- Cabelo, luz e pegadas
- Os sentidos: visão, paladar, tato, olfato e audição
- Espelho e dualidade
- Corpo e natureza
- Luz e sombra
- Energia
- Micro e macrocosmo
Locações
- Mata
- Lama
- Mangue
- Igarapé
- Casa de barro
- Luau
- Fogueira






































































Marcela Neves, dos Estudos Marajó, 2025